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Tennessee Williams e o Cinema

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 25.02.10

 

Este post poder-se-ia chamar "a insondável alma humana". Só que a alma, para Tennessee Williams, é muito mais complexa do que normalmente a consideramos. E muito mais terrena. É também essa a minha perspectiva: a alma humana enraíza-se como uma árvore a um território, a uma terra viva. Está ligada ao desejo, aos sonhos, às mágoas, à verdade que enterramos e escondemos, ao medo original, ao desamparo, à carência do amor, à dor inconsolável.

 

Nunca conseguirei explicar aqui a ressonância dos textos de Tennesse Williams na minha própria alma. A sua voz, ou melhor, a das personagens, é poética e cruel, expõe o que escondemos e a verdade de que fugimos.

É um dos meus autores, se assim o posso dizer. As suas peças são sequências de frases, de sínteses, de pequenos choques, que nos emocionam, quase sempre hipnotizam, vêm carregadas de electricidade e deixam-nos um calafrio. Não conseguimos escapar, não é possível. Tudo aquilo faz sentido, é a própria natureza humana, sem disfarces nem maquilhagem.

 

Por isso as suas peças são tão cinematográficas: A Streetcar Named Desire... Cat on a Hot Tin Roof... The Fugitive Kind (Orpheus Descending)... Suddenly, Last Summer... The Roman Spring of Mrs. Stone... Sweet Bird of Youth... The Night of the Iguana... The Glass Menagerie...

 

aqui coloquei a navegar Suddenly, Last Summer e também Cat on a Hot Tin Roof. E já aqui chamei as minhas personagens preferidas de Deborah Kerr, Hannah Jelkes, e de Richard Burton, Rev. T. Lawrence Shannon, em The Night of the Iguana.

 

O impacto deste segundo Suddenly, Last Summer, que revi há uma semana, foi ainda mais intenso do que a primeira vez. Raramente isso me acontece com os filmes. Talvez eu não tenha apreendido todo o seu significado da primeira vez.

Aquele jardim sinistro, uma réplica da floresta original, em que tudo se devora numa lógica indiferente e cruel, essa lógica que é traduzida de forma estranhamente próxima no relacionamento humano.

Sim, recordava bem esse jardim na casa de Violet Venables. E da forma absolutamente alucinada como ela se refere ao filho Sebastian, e ao significado da vida, do amor, da poesia. Vemos todo o horror paradoxal da sua descrição da viagem com o filho às Encantadas, como ele lhe mostrara a crueldade da natureza, como lá tinham voltado para ver como os pássaros devoravam as tartarugas recém-nascidas.

 

Talvez tivesse de ver muitos outros filmes entretanto para realmente ver este Suddenly, Last Summer. Desde a forma absolutamente mágica como esta peça é transformada em linguagem do cinema, as cenas, os planos, o ritmo, o movimento, as frases, os diálogos, os cenários, a fotografia. Tudo está perfeito. Mesmo os actores:

- Gostei muito de ver Montgomery Clift no papel de médico, que veste na perfeição, a postura correcta, o registo convincente;

- também com Elizabeth Taylor, talvez me tenha precipitado ao considerar Maggie the cat o seu papel, pois esta Catherine está verdadeiramente magnífica;

- e que dizer de Katharine Hepburn?, uma Violet Venables inquietante, arrepiante por vezes.

 

Ainda consigo ficar estupefacta com a estranha modernidade destes filmes! A sério! É como se fossem, também eles, intemporais. A sua poesia é eterna, talvez porque as frases de Tennessee Williams são eternas, talvez porque se ligam estranhamente à própria natureza humana.

Teremos mudado assim tanto desde a selva e a violência da sobrevivência, numa lógica cruel de predadores e as suas presas?

E não é estranho que só adoece quem está perto de uma consciência humana? Catherine, talvez o exemplar mais saudável e terreno daquela família, adoece com a verdade insuportável de tão dolorosa.

A mãe está pronta a sacrificá-la por dinheiro. O irmão nem reflecte nas consequências.

Violet tinha dito: Como é possível de uma família de naendertais sair um milagre da natureza?E no entanto... também ela pressiona os médicos para operar a verdade, extraí-la da memória da sobrinha, como se a verdade fosse operável.

É só com a aceitação total, sem reservas, do terrível segredo de Catherine, que a sua cura é possível. Só a verdade cura. Embora pressionado pelo director do hospital para a operação da jovem mulher, o médico hesitará até ao fim, até desmontar o puzzle dessa verdade terrível, e desvendar o que acontecera realmente no verão passado.

A verdade encerra o inaceitável para a mãe de Sebastian, que não conseguirá lidar com ela. A verdade sobre a natureza do filho, sobre a sua relação com o filho. A sedução como organização de vida. O desejo, sempre insaciável, sempre insaciado. E a utilização das pessoas, como dirá a jovem mulher ao médico: Amar não é utilizar as pessoas? Catherine fora útil ao primo nesse verão, servira de isco nessa caça, forma primitiva e simples da natureza primordial.

Estaremos assim tão longe da natureza primordial? É isso que nos arrepia em Tennessee Williams: ele revela-nos o nosso rosto e, de certo modo, o rosto de Deus. A nossa percepção de Deus. Aqui, Deus é a natureza que se devora numa lógica implacável.

 

Em The Night of the Iguana, Deus é o poder que tudo decide, naquela noite em que as duas personagens libertam o animalzinho. Também é o Deus da aceitação de todas as criaturas tal como são, só porque são humanas, nada mais (Hannah Jelkes). Também é o Deus de todas as possibilidades, como finalmente terminar um poema, precisamente antes de morrer (o avô dela). Ou descobrir que se chegou a casa depois de todas as aventuras e desilusões filosóficas e morais (Rev. T. Lawrence Shannon).

 

Em A Streetcar Named Desire, vemos que o próprio desejo é também ele insondável, não lhe percebemos a lógica, mas vemos aqui a sua força, o seu poder. Uns perseguem-no ou ficam a ele presos, outros fogem para outros territórios, para outros planos onde possam existir. De muitos misfits no cinema, esta personagem, Blanche Dubois, é uma das mais trágicas e poéticas. Também é uma das mais parodiadas noutros filmes e séries de televisão, nem sei bem a que propósito, porque aquela frase soa-me ao desamparo mais paradoxal que há, porque soa estranhamente teatral: Sempre dependi da amabilidade de estranhos...

Magnífica Vivian Leigh!, e também noutro Tennessee Williams: The Roman Spring of Mrs. Stone. Li o livro ainda no tempo da idade impressionável (trata-se de uma novela) antes de ver o filme, o que faz muita diferença. O filme aproxima-se muito desse sentimento terrível da percepção da idade como decadência física, como se fosse uma doença. É terrivelmente actual, porque é para essa obsessão que se está a caminhar. É certo que para uma actriz a idade tem imensa importância porque pode impedi-la de aceder a certos papéis.

No livro, lembro-me bem, Tennessee Williams é implacável. O seu olhar vê como um lazer, através da superfície, mas a sua voz, a sua voz é incrivelmente poética e sintética. Nunca vi escrever assim...

 

E ainda me falta falar de Sweet Bird of Youth e The Glass Menagerie.

Do primeiro, fixei sobretudo aquele par trágico, Chance Wayne (incrível Paul Newman) e Heavenly Finley (Shirley Knight). E a predadora Alexandra Del Lago (magnífica Geraldine Page). E como é frágil e, no entanto, resistente, o doce sabor do amor. Interessante este desmontar da linguagem do poder, através do pai de Heavenly, de como utiliza e tritura todos os que o rodeiam para conseguir os seus objectivos, como mantém uma mentira na maior hipocrisia. Como se é imune aos sentimentos dos mais próximos, ao seu sofrimento, mesmo humilhação pública.

Do segundo, e é o segundo Paul Newman aqui, registei o papel de Joanne Woodward. Mas também de John Malkovich. Gostava igualmente de ver a versão desta peça num filme de 50, sobretudo pelos actores, Jane Wyman e Kirk Douglas.

Finalmente, também gostava de ver The Fugitive Kind (baseado na peça Orpheus Descending), de 59, com o Marlon Brando e a Anna Magnani.

 

 

 

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publicado às 20:37

Quando o Cinema antecipa a História

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 18.11.08

 

Guess Who's Coming to Dinner está carregado de significado histórico. Foi o último filme com o par mágico Katharine Hepburn-Spencer Tracy. E antecipou, de forma curiosa, a eleição de um Presidente-síntese racial e síntese cultural.

Só neste fim-de-semana, ao revê-lo no canal Hollywood, reparei que, no próprio filme, no diálogo entre o pai da rapariga (Spencer Tracy) e o médico com quem ela quer casar (Sidney Poitier) esse acontecimento é antecipado no plano do possível e de um optimismo (da rapariga):

Joanna diz que os nossos filhos podem até vir a ser Presidentes...

Um pouco adiante o pai da rapariga diz: Talvez daqui a 50, 100 anos...

 

Sim, o filme antecipa já novos tempos para a América...

Quase consigo imaginar o escândalo que o tema terá despertado na altura em muitas mentes fechadas. E não apenas na comunidade branca, digamos assim. Também o filme refere isso: a resistência àquele casamento é uma resistência das  duas comunidades (e inclui Tillie, a empregada que está naquela família há mais de 20 anos e quer proteger a sua menina).

Estava-se em 1967. E o mais fascinante dessa época é a incrível frescura de um certo Cinema, e de uma parte dos intelectuais, que contrasta com uma outra parte muito agarrada a tradições e preconceitos.

 

Mas voltemos ao filme: a resistência das duas comunidades. Como em Tillie, que assimilou, sem questionar, que uma coisa são os direitos civis. Outra, muito diferente, o que se passa aqui...

Essa resistência não é igual no lado feminino e no lado masculino. No lado feminino, esta resistência é só no primeiro impacto (fabulosa Katharine Hepburn!), pois são mais rápidas e flexíveis na aceitação da situação. Ou porque vêem e sentem o afecto genuíno daqueles dois, os fortes laços que os unem.

A resistência masculina permanece até ao fim (do filme, entenda-se).

Magnífico diálogo entre o pai da rapariga e a mãe do médico em que ela, apesar de perceber a sua motivação (dele) proteger aqueles dois, não via que iriam sofrer muito mais se não pudessem ficar juntos. E diz-lhe com lágrimas na voz: os homens, quando envelhecem, esquecem-se do amor que sentiram quando jovens...

É esta simples frase que mais impacto terá no pai da rapariga e que lhe dará o mote para aquele monólogo final, que é de cortar a respiração e de nos deixar arrepiados, porque é sobre aqueles dois mas também com aqueles outros dois: Spencer Tracy e Katharine Hepburn. É nesse monólogo que diz lembrar-se perfeitamente desse amor enquanto jovem, desse amor ainda vivo. E esta frase fica no ar: Se vocês sentirem um pelo outro metade do que nós sentimos, valerá a pena.

 

Ainda não lhes dediquei um texto neste rio sem regresso. Como foi isso possível, se têm sido uma das minhas maiores referências?

 

Mas hoje é da antecipação da História, e de Sidney Poitier que vou falar. Porque vi, há uns meses um documentário no canal ARTE e o papel simbólico de Sidney Poitier nesta mudança anunciada. Um papel de continuidade histórica também.

Sidney Poitier sabe que as anteriores gerações de actores afro-americanos lhe abriram um caminho, que ele continua. É como se lhe preparassem a possibilidade de dar o passo seguinte: de personagens com profissões subservientes (amas, empregadas domésticas, motoristas, seguranças, recepcionistas de hotel, moços de recados, etc.) para personagens com profissões com formação académica e socialmente mais influentes.

Interessante observar como também em Guess Who's Coming to Dinner vemos já uma diferença de postura e de atitude nas duas gerações. Uma, a do pai do médico, que teve ainda de lutar, numa sociedade que lhe lembra todos os dias a sua condição de "negro", para investir numa vida melhor para o filho. E outra, a do filho, que interiormente reformulou essa imagem social, para se afirmar noutra dimensão: a sua condição de homem, acima de tudo.

Também esta ideia de continuidade de um percurso cultural, de uma evolução de mentalidades está no filme:

No diálogo do médico com o seu pai, este, para o dissuadir do casamento, tenta o argumento da cobrança afectiva e lembra-lhe todos os anos de sacrifícios e privações para que ele pudesse ter um futuro melhor. Mas sem resultado. O filho responde-lhe à letra, que o que o pai fez por ele é o que um pai faz pelo filho, é o mesmo que ele próprio fará pelo seu filho. E por fim resume, no olhar e numa frase, tudo o que sente naquele momento: Eu amo-o, é o meu pai. E por isso só espera que o pai aceite a sua felicidade.

 

Sidney Poitier é um homem inteligente e com uma forma insólita e desarmante de abordar a questão racial. Em parte  porque não nasceu na realidade americana. Como ele próprio referiu no documentário: Na América os afro-americanos são uma minoria. Mas nas Caraíbas, somos a maioria da população.

Por isso, quando o questionaram sobre o seu fraco papel no activismo afro-americano, respondeu: Continuam a tentar reduzir-me a essa dimensão, a minha negritude. Mas essa é apenas uma das minhas facetas. Além de tudo o mais, sou um homem, sou um cidadão americano, tenho uma determinada personalidade, uma intervenção e uma história.

 

 

 

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publicado às 12:16

John Huston e um dia de sol

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 06.08.08

Ontem foi O Dia John Huston no canal TCM. Soube-o por acaso, quando por lá passei à espera de um "milagre". E às vezes, sim, às vezes, o "milagre" acontece: apanhei, quase no início, The Treasure of the Sierra Madre. No final, uma entrevista com a filha, Angelica Huston e o anúncio do filme seguinte (que nunca tinha visto): The Red Badge of Courage.

John Huston, como fui espreitar a uma breve biografia, nasceu a 5 de Agosto de 1906, no Nevada. E para celebrar aqui, com um dia de atraso, o seu cinema-arte - como disse, tão poeticamente, Angelica Huston: a bitter sweet morality about it, lembrei-me de um texto que lhe dediquei, e às suas personagens, e que anda a navegar desde 97... Dei-lhe o título poético John Huston e um dia de sol. Aí vai, devidamente adaptado à navegação deste rio:

 

Primeiro, o cenário. Muita luz, branca. De sol ao meio dia. De um país da América central ou de África. As sierras ou as plantações. Não esquecer as personagens. O protagonista d' As Raízes do Céu aproxima-se de papel na mão. Dizem que o seu criador lhe deu essa capacidade rara nas pessoas, a determinação. Mas há quem diga que foi a imaginação que o salvou durante a guerra, preso num espaço exíguo. Conseguia transportar-se para essas planícies intermináveis onde manadas de elefantes se deslocam em liberdade. O determinado e imaginativo cruza-se agora com uma criatura louríssima como o sol africano e os movimentos, uma coreografia estonteante. Lamentou profundamente que não estivessem no mesmo filme. A vida é injusta, pensou. Não estamos no mesmo filme mas ainda me vai assinar a petição. Assinou, depois a mesma coreografia de bailarina. Descobriu mais tarde, e devido à sua capacidade imaginativa, tratar-se de uma das personagens d' Os Inadaptados. Não tinha nada o ar de inadaptada mas as aparências iludem mesmo os mais perspicazes.

A mania de nos obrigar a trepar esta montanha com este calor. Outro protagonista ao sol do meio dia. Nem uma bebida fresca. Que falha na organização! Eh, viste passar o das petições? Encontramo-nos a toda a hora desde que me meteram naquela aventura horrorosa em África. Pelo menos o calor aqui é seco. Andar a trepar montanhas ou a puxar por um barco a cair aos bocados num rio africano, eis o preço da amizade. Ele gosta de nos ver transpirar. O calor não o afecta, antes pelo contrário. Parece um lagarto, os olhos de lagarto, o sangue frio. Gargalhadas.

Foi o que eu vi naquela noite, no México, que as iguanas se parecem com ele. Gargalhadas. E bebe mais do que eu, pelo menos aguenta-se melhor. Deve ser do sangue frio. O homem deve ser é uma espécie de mágico, um hipnotizador, porque eu não acredito que só pela amizade me apanhava nesta sierra. Aponta para o vale. Pelo menos o cônsul tem a sorte de passar o filme no bar, naquela esplanada à sombra.

Sim, sim, mas farta-se de sofrer e isso é o pior, vermo-nos encurralados na pele de um sofredor. Pelo menos eu tenho momentos divertidos e mesmo alguns em que se sente o verdadeiro calor humano. É preciso ter estrutura de sofredor para suportar o que ele suporta. Ou gostar de sofrer.

Meus amigos, porque é que a verdade é tão cruel? Ambos se voltaram para a olhar.

O protagonista de aventuras em África suspira. É a nossa amiga que nunca se queixa da vida, continua a descer aquele rio com o ar mais natural deste mundo.

A amiga sorriu, depois dirigiu a voz solene para o noctívago em noites mexicanas. E o teu anjo protector?

Não sou o único cruel nestes cenários, mas os piores por vezes são os melhores, cada um no seu papel, o meu anjo esfuma-se sempre, sempre quando amanhece... mas tenho o mar e uma companhia, é mais do que suficiente para um elemento da espécie humana.

Não sejas tão sarcástico, pode ser suficiente para a espécie humana como dizes, mas não é para uma personagem. Voltaram-se, era o homem das petições e dos elefantes. E a minha causa é esta, as nossas causas são sempre maiores do que nós, os nossos sonhos maiores do que nós...

Elefantes, que grande causa... O tom sarcástico pertencia ao protagonista, os olhos semicerrados.

O homem das grandes causas fixou-o. Está tudo interligado, o próprio cônsul entendeu perfeitamente, a mulher louríssima entendeu. Os elefantes são a última réstea de liberdade e dignidade da espécie humana. Não vou perder mais tempo a explicar tudo isso, passo a vida a fazê-lo. Assinem aqui e pronto.

 

 

 

 

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publicado às 13:04

A violência da natureza

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 29.08.07

Nunca como em Tennessee Williams e Suddenly, Last Summer, percebemos e sentimos a violência da natureza, e mesmo da natureza humana, que acompanha a violência da natureza.

Aquele jardim tenta reproduzir a criação original, na sua pureza original. É que, queiramos aceitá-lo ou não, convivemos mal com a natureza na sua versão original. É com as versões domesticadas que nos habituámos a viver. É nelas que aprendemos a viver. E no entanto… trazemos nos genes essa violência original que queremos negar. Talvez até seja daí, dessa nossa origem, que venha a ideia de “pecado original”. A que voltamos de vez em quando, obedecendo à nossa natureza.

A civilização é uma construção elaborada, em camadas, sobre essa violência original. Só assim se pode proteger o mais fraco, o desprotegido, o vulnerável. Ou sequer sentir compaixão: identificarmo-nos com a sua dor, reconhecermo-nos na sua vulnerabilidade.

Mas será que a corrida das tartarugas-bébé para o mar, essa terrível saga pela sobrevivência, não se repete ainda, todos os dias? De forma visível ou invisível, em campo aberto ou em campo encoberto?

 

 

Muitos dias depois... descobri num outro lugar...

 

 

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publicado às 12:19


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